posted 4 months ago with 4 notes
Confession dude!

Vai dar seis horas da manhã e eu não dormi.

Não consegui dormir, cara. Tá tudo meio que rodando aqui dentro dessa cabeça oca. Dizendo coisas e pedindo e questionando e implorando e eu não sei o que fazer. Eu já ouvi todas as músicas tristes que tenho e estou na internet em busca de mais.

De uns tempos pra cá estou meio que rodando músicas de jazz e isso tá me fazendo bem pra caralho. Sério essa semana saí do trabalho com a cabeça a milhão e pus uma música qualquer, era jazz e porra como aquilo me acalmou. Daí cheguei em casa; desliguei o MP3 e tudo voltou zumbindo no meus ouvidos. Get off. Tá tudo meio fudido e com a minha cabeça então.

Sinto falta de falar com alguém sabe. Eu me acostumei a fazer isso, a pedir que alguém venha aqui me fazer bem, me diga mentiras e me faça dormir. Mas daí cê resolveu ser esse bosta e daí eu tô aqui. Sozinha. Sozinha. Eu já fiz isso antes, sabe? Ser sozinha, mas isso era mais fácil antes de saber como era bom não ser sozinha, daí fica essa confusão.

Porra! E meu trabalho tá me matando. Eu preciso de férias. Um aumento. E reconhecimento. É tudo que peço!

Ou quem sabe só ganhar na loteria mesmo e mandar todo mundo se fuder. Nossa, que sonho que eu tenho de mandar aqueles putos se fuderem.

Vou te contar uma coisa não é fácil fingir ser normal. Não é fácil acordar todo dia desejando a morte, não é fácil odiar cada pessoa que cruza seu caminho. Não é fácil olhar no espelho e falar: what the fuck? Every fucking day!

“Now what?” tipo o velho buk, sabe?

Eu sinto vontade de gritar. Sair gritando mesmo. Ver se eu ainda tenho voz. Testar, sabe? Talvez me prendam, me deem algo doce pra dormir ou pra ficar sedada mesmo, quem sabe? Vai ser o maior barato!

Dude, as coisas tão meio loucas e eu preciso me acalmar voltar a tomar meu remedinho diretinho e voltar a ser certinha como gostam que eu seja. 

Quem sabe um dia eu te encontro. Te conheço.

posted 5 months ago with 8 notes
"

15 orgasmos,
prazeres,
vestida de zorro,
mostrar a rua a um cego,
caixa,
perfume,
três beijos,
pescoço,
queixo,
boca,
Nino,
Ensinar uma lição,
Françês,
comer morangos nos dedos,
Sonhadores,
vermelho,
inocência…

Amélie <3

"
posted 7 months ago with 4 notes
Meu cigarro.

E chorava.

Chorava por tudo que não foi.

   Aquela casinha tão bonita, construída há tanto tempo, aos poucos, com tanto esmero agora dançava em chamas na sua frente. As chamas sem pedirem iam-se indo de lá pra cá. Quente. Fogo. Seu rosto se inundava, enquanto os vizinhos tentavam ajudar. Os bombeiros ainda não tinham chegado.

     Vão-se perder tudo, meu deus. Pensou. E chorava. Pensou na cama, desarrumada. Na cozinha metade pintada de branco, metade de azul. Pensava, na sua cama, nos quadros que pintou aos anos e pendurou, em todo sacrifício por aquela casinha. Pensou em por que, meu deus? E olhou pro céu. E ninguém vinha acalmá-la. Pensou em tudo aquilo que comprou; que ia comprar; que pensou em comprar pra sua casinha. Sua casinha há tanto tempo adquirida, com aquele dinheiro que guardava todo mês. Tanto trabalho, meu deus. Meu deus. Por quê?

  Por quê?

      O fogo tinha vindo não se sabe da onde. Bem, quando chegava do trabalho avistou a casinha tanto amada em chamas. Tudo em chamas. Ninguém sabe o que se sucedeu. Quem foi. Ninguém viu. O que aconteceu. Ninguém sabe. Ninguém. Só se sabe que as chamas se alastraram e não paravam. Tudo ia pelos ares.

    E foi quando estava lá olhando sua casinha construída e comprada com tanto sacrifício em chamas que apareceu um moço.

- É sua casa? – Ele perguntou.

- É, sim, senhor… – Ela chorou. O moço olhou as chamas. Olhou a mulher. Olhou sua mão.

E perguntou:

- Se importaria de acender meu cigarro nestas chamas? 

Sentadinha.

Senta ali, vai. 

Naquela cadeira, de frente pra mim.

Senta ali, com a perna bem aberta. Senta e tira essa calcinha, não, não, psiu tira devagar. garota, agora abre bem a perna, mais. mais cacete. te lembra que eu te pago a hora e faço o que quero contigo. 

agora,

agora, me conta a hora,

me conta a hora que chegou aqui, como chegou aqui, me conta a história da tua vida. vai, me conta dos teus amores, todos, cada um com detalhes.

põe a cabeça na parede atrás dessa cadeira, relaxa.

E abre bem mais a perna, eu quero de comer com os olhos. quero estar dentro de você, sem estar. Quero saber o que é que tem dentro de você que me dá tanto prazer.

o que tu tem dentro de tu hein? me diz, cacete. NÃO.

Não diz não que eu quero descobrir só.

nada. você não tem nada demais. mas eu tô aqui te olhando um tempão e eu quero sentir tesão. me fala coisas sujas.

NÃO. Não. fala nada não. que eu te quero calada. muda. isso assim, só a tua boca meio abertinha e eu imaginando as coisas bonitas que poderiam sair dela. te quero assim.

abre a porra da perna. eu não cansei ainda de olhar pra dentro. deve ter alguma coisa aí dentro, escondido, no teu escuro que me mostre qual a realidade que me sinto.

Eu quero que tu me diga como tu consegue hein? como consegue sair por aí como se não devesse a porra de um amor barato pra mim. você me deve tá me entendendo? tá entendendo o que eu digo? você ao menos me ouve?

Me fala, me conta uma história, me fala que tá aqui mesmo. 

me fala que eu não estou sonhando de novo.

abre a janela, boceja, grita. deita do meu lado e me diz que tu tá aqui mesmo.

que eu não estou sonhando de novo. que tu é a mais bem paga do mercado. que eu te pago bem pra cacete.

que tu nem merece.

me fala que tu gosta de ficar aí aberta e sentadinha tomando ar.

me fala que eu quero mesmo te ouvir. me fala que eu não estou sonhando ou tendo pesadelos.

me fala que tá aqui mesmo. que eu não quero te tocar essa noite, pra não te quebrar.

me fala que eu quero te ouvir por uma noite inteira! 

me fala que tá aqui, caralho. me fala, por favor, antes que eu surte. que eu te agarre e você desapareça no ar. me fala pra não chorar, pra rir, pra não jogar essa garrafa inteira na tua cabeça de vento. me fala só que tá aqui, mesmo.

agora.

que tá aqui, agora, nesse momento. dando pra mim. e eu te como só de te olhar.

me fala, mas não levanta não, que se tu não for real nem quero que desapareça. quero que continue aí preenchendo meus olhos de faz de conta. e aproveita e ABRE a droga da perna. que se eu te pago, eu pago caro tá? eu pago com alma pra te ver assim, sentadinha, aberta e quietinha. te vendi a alma. 

me fala. 

posted 9 months ago with 4 notes

(…)

- Eu poderia fodê-la de três maneiras diferentes - sussurrou.

- Não estou interessada. - respondi.

- Eu poderia fazê-la chorar de prazer. - sussurrou de volta e cambaleou.

- Como se chora de prazer? - Indaguei.

- Você só precisa deixar eu te mostrar - E cambaleou mais uma vez com um soluço.

- Você está bêbado, para de falar besteira e vem dançar, vem - E o puxei. Cambaleante veio, agarrou-me fracamente pela cintura e deu dois passos lentos junto com os meus, afundando o rosto e bafo bêbado no meu pescoço.

- Por que você não me leva a sério? - Chorou e dançou timidamente.

- Por que você bebe e chora tanto? - E desatou a chorar e sorrir e cantar no meu pescoço.

- Você sabe o que é o amor, meu querido? - Quis saber.

- Já ouvi falar, dizem que se parece mais com uma enorme dor de barriga. Daquelas que dói até a alma.

- Dor de barriga? - Perguntei rindo.

- É… dor de barriga, sabe? Daquelas que dá um alívio danado quando vai embora. Sabe, você se sente mal quando tá vindo e durante é uma loucura de incômodo e quando finalmente sai tudo, você se sente aliviado pra caralho, me entende? O amor se assemelha a merda que sai de você no banheiro. Você só tem que aprender a dar descarga nessa merda toda e seguir em frente acumulando mais merda. - Chorou cada palavra como se fosse à última.

- Porra, parece que o amor dura pouco, então, o tempo de uma dor de barriga é coisa rápida e o amor também. – Pensei e falei pensativa.

- Hoje em dia sim. - E soluçou e chorou e cantou e me apertou.

- Ainda quer me foder de três maneiras diferentes?

posted 1 year ago with 7 notes
Em demasia,

Em demasia.

Demasiadamente vivo em demasia. Nesta de viver. Nesta de ser. Nesta de querer ser aquilo que não sou. Aquilo que esperava ser e que talvez um dia seja. Em demasia vivo. Por uma vida. Uma vida em demasiada loucura de estar sendo um outro ser que supostamente deveria ser só pelo gosto de ver estar sendo. Vivo demasiadamente em demasia de querer viver.

De querer.

Venha-me já que demasiado quero-lhe para mim, só pelo gosto de querer tocar-lhe os lábios na ponta da língua e exalar teu cheiro pelas pestanas entreabertas esperando que tu me venhas retirar-me o mel da boca para com seu gosto fazer-me mulher.

Aguardo-te a espreita com sede de desejo de ser-lhe tua mulher, amante, esposa, namorada. Mulher. Anima-te e aninha esse teu rosto barbudo na minha pele macia, passa-lhe os dedos miúdos pelas minhas orelhas e desliza-me por entre minhas entranhas para me fazer ser-te tua. Só. Saúda-me com teu olhar por entre essa demasia de querer-te todo dia. Toda hora. Todo tempo. Sempre. Sendo. Aquilo que já não sei mais quem sou. Venha-me roubar-me a vergonha de já não ser mais moça e ser somente tua mulher, amante, esposa, louca. Entretém-se por dentro dos meus cabelos que eu procuro por dentro dos teus, aquilo que um dia eu puder chamar de meu, que eu já não mais posso viver sem. Faz-me tua. Beija-me por inteira da ponta da língua até a ponta do pé para fazer-me por outra metade que em mim já não é mais meu e seu.  

Deixe-lhe a respiração acelerar quando eu sem vergonha alguma caminhar os dedos por teu corpo nu e fizer-te ruir de espasmos com meu toque gélido. Mordiscarei tua orelha e farei tua garganta ergue-se de sufoco quando eu aperto-te tão forte junto a mim que já não saiba como soltar. Desaprenda a soltar-me. Deixe-me ser tua por hora, por minuto, por dia, por semana. Por vida. Esqueça como se soltar de mim. Tornemo-nos um.

Até que não haja mais hora, mas respiro, mas choro, mas grito.

Desenha meu rosto com os olhos entreabertos e os dedos a passar delicadamente por minha coluna, sem vergonha deixem-lhes vagar pelas minhas costas e deixe brincando com suas caricias, até que seus dedos tomem-lhe a mão por inteira, até que um arrepio surja no pescoço e venha morrer na cintura nua, a espera do teu aperto. Perca-se por minhas coxas, brinque com meus joelhos e brinde seu lábio com a saliva do teu desejo.

Demasia. Em demasia me toma. Suga-me. Corrompe-me. Engole-me.

Em demasia,

Espero-te.

posted 1 year ago with 13 notes
E íamos…

        28 de janeiro de 2008.


      Era uma tarde chuvosa aquela que nos conhecemos, me lembro bem do teu cabelo molhado, o aroma de trident de morango misturado com perfume e cigarros. Gostei do cheiro, tive que sorrir quando se sentou do meu lado e perguntou “com licença?” como se o lugar vago ao meu lado fosse único. E então falamos sobre o tempo, de repente tão logo pude perceber falávamos de Godard e depois falávamos da morte. Eu não me lembro bem como chegamos ao assunto, mas íamos…


      Pediu meu nome, eu dei. Pediu meu telefone, eu dei. Pediu outra chance de me ver, eu aceitei. Pediu um beijo, eu discordei. Na mesma semana estávamos sentados em uma mesinha de bar de esquina e conversávamos. Como conversávamos! Lembro-me de tu dizendo como era triste viver a mesma rotina e eu encantada como uma pessoa podia conhecer tanto de mim sem me perguntar uma única vez. Sabia o que me faria sorrir, o que me faria colocar a cabeça na mão e olhar atenta as pessoas passarem apressadas. Eram cômicas, como tu eras estranho; engraçado e bonito. Como era bonito, meu deus.


    No mês seguinte nos encontrávamos sempre no mesmo lugar, no mesmo horário. Saímos algumas dúzias de vezes ao cinema que era e sempre foi minha maior paixão, quando de repente aquele beijo roubado surgiu sem querer e eu não pude deixar que você parasse. E íamos…


    Dentro de certo tempo, eu sabia que estava acontecendo algo muito maior do que eu jamais havia experimentado com outro alguém, tão logo esse pensamento surgiu na minha cabeça, tu me chamaste para conhecer seu apartamento. Era o começo de um relacionamento. E íamos…


   Falamos metade da noite de Bergman, depois falamos de Dostoievski, falamos de The strokes, falamos de Joy Division, falamos de galinhas, aves, vida, comida japonesa, vinho e depois falamos de sexo. Bebíamos e bebíamos até eu perder o sentido das coisas e trepamos como nunca tinha trepado antes. A noite toda. De manhã cedinho quando o sol ia pelo quarto sobrevoando minha cabeça, você queria mais. E eu queria tanto mais de tu. E íamos…


   Comíamos as sextas no mesmo lugar, íamos ao seu apartamento, ao meu apartamento e transavamos loucamente até as paredes gritarem “chega”. E até que eu ficasse com falta de ar e você precisasse de um banho. E íamos… Ao banho, juntos, nus, enamorados, cantávamos Rammstein, sem saber uma palavra de alemão. E deixávamos o quarto impregnado de suor, sexo e cantoria. Eu bêbada de tanto amor, você cômico de tanto cansaço. Queríamos nos sugar, nos amar, nos poupar e nos devorar. Tu conhecias cada pedaço imperfeito do meu corpo, eu conhecia cada pedacinho do seu. Beijava-me inteira pela manhã, toda manhã. E fazia lasanha aos domingos. Dançávamos pela sala balé. Tu sabias dançar valsa, tango e dar pirueta. Tu sabias como me excitar, como me provocar e depois me deixar louca de desejo. Tu compravas vinho toda noite. Tu fumavas cigarros na varanda para não me fazer mal. E cuidava de mim quando chorava depois de uma transa mal feita. E ria de mim quando eu ficava desesperada atrás das chaves que estavam na minha mão.


   Tu rias de mim de como eu adorava minha cachorra. Tu rias de mim quando eu confundia Saramago com Machado de Assis, tu rias de mim quando eu não fazia a menor idéia do que a música estava dizendo e achava linda a música. Tu colocavas música clássica quando estava deprimido e eu cuidava de tu quando acordava suado no meio da noite com um pesadelo. Eu ria de você quando confundia Beatles com Rolling Stones e depois de tudo isso me fazia carinhos à cabeça no meio da noite até eu pegar no sono. E me contava histórias que lia quando pequeno. Contava-me dos teus pais loucos que te esqueciam em casa para ir dançar, me contava da sua avó solitária que chorava toda noite com saudade do marido, me contava de como lia histórias pra tua avó. Contava-me como aprendeu a cozinhar, me contou da tua primeira transa, da tua primeira namorada, do teu primeiro beijo, da tua primeira ereção. Contava-me do teu primeiro porre. E eu ria, ria tanto até chorar e tu secavas minhas lágrimas com a língua e dizia que queria me lamber inteira se eu continuasse rindo e chorando dele. E eu te beijava e bebia e comia feito uma louca pelas tuas comidas. E deixávamos o apartamento inteiro cheio de roupas, restos de comida, CD’S jogados ao chão, DVD’S de filmes antigos.

     E brigavamos quando você queria ir em qualquer lugar que não fosse o cinema, quando você queria ouvir um CD do Beatles e eu do Joy Division, quando você cozinhava peixe e eu queria lasanha, quando você queria ver filme de terror e eu de drama, quando você queria sexo de manhã e eu de noite, quando você queria dormir na varanda e eu na sala. Quando você comprava vodka e eu queria vinho, quando você sorria para uma mulher na fila do mercado, quando você comprava cigarros para o mendigo da esquina e depois de tudo nós ríamos muito de tudo, sem ligar para nada e fazíamos todas as posições possíveis só para você dizer que queria experimentar uma outra.


E íamos…


   Íamos até eu não poder agüentar mais de tanto amor, de tanto calor, de tanto tesão e amor teu. Só meu. Só tua. Só nós dois. Só nesse nosso redemoinho de amor.

posted 1 year ago with 8 notes
Fingimento.

Finjo.

Finjo que finjo que vou fingindo ser feliz. Ora, pois quem irá encontrar outra diretriz? Pois veja bem, finjo porque se finjo de outra maneira, logo estarei fingindo ser mais do que sou e doutra forma só me sobrar fingir tudo aquilo que sou.

Então finjo.

Finjo fingidamente que está tudo certo, que se não tivesse certo, por que estaria errado? É errado fingir desta forma? Se a todos apavora, logo não presta. Se fingir que está tudo bem, está tudo certo, então está tudo certo e ninguém vai notar que tudo não passa de fingimento barato.

Então finjo.

Finjo porque é mais fácil. Porque aprendi que fingir é o que faço de melhor. E ora, veja só não me envergonho nenhum pouco de fingir tanto assim, cada um fingi da forma que pode, que deve, que sabe. Ou até mesmo finge sem querer, só por querer demais não fingir.

Eu sou a nobre arte do fingimento aglomerado, bem aí ó. Bem no meio do teu rosto. Entre o nariz e o queixo. Danço por seus lábios e aperto-os para o lado. Logo todos me chamam de sorriso. Mas sabe qual meu nome verdadeiro?

Fingimento.

posted 1 year ago with 20 notes
Os 10 mandamentos para Isabelinha:

10º Entediarás todo aquele que passar no seu caminho com sua ladainha de vida, morte e vida existencial.                       

9º Passarás mais tempo reclamando de sua patética vida do que tentando muda-la para algo “aceitável” 

8º Acharás metade das pessoas patética e a outra metade dispensável.

 7º Passarás mais tempo sozinha chorando que feliz corando.

 6º Verás mais filmes, lerás mais livros e ouvirás mais músicas do que possa se recordar.

 5º Decorará cada fala absurda de cada personagem medíocre que se tem noticia na vida paralela do cinema.

 4º Honrarás um bom diálogo à cerca de vida e morte em qualquer meio de comunicação.

 3º Chegarás aos 19 anos sem qualquer noção do que fazer com sua vida.

 2º Verás mais filmes que pessoas.

 1º Morrerá em uma sala de um cinema.

 

posted 1 year ago with 25 notes
Beirando…

       Sentava-se beirando a cadeira, encostava-se beirando a porta, olhava beirando a janela, dormia beirando a cama. Vivia beirando a loucura. Meio copo de doce, meio de amargo. Beirava pela vida, beirava pela morte. Beirando ia pela estrada da sensatez. Beirava a deriva de um surto; beirando caminhava torta por uma morte.

     Seu coração batia beirando um disparo, beirando pedia por um forte reparo, seu rosto beirava um choro, mas também beirava um singelo sorriso, seu corpo fraco beirava um forte tropeço; beirava-lhe a vida, beirava-lhe a morte, beirava-lhe uma despedida, beirava-lhe a sorte.

   Um dia, porém, acordou beirando uma crise. Acabou beirando demais e por tanta falta de beira ficou sem eira nem beira. Foi só mais um quase.

    Morreu na tarde de outono de um domingo triste, beirando os 19 anos.

   Ninguém notou.

posted 1 year ago with 70 notes
Continuo funcionando.

Continuo funcionando.

Os olhos se abrem toda manhã, se fecham toda noite. Piscam regularmente durante o dia, as pernas andam conforme solicitadas, os braços alcançam aquilo desejam, o corpo vai indo e vindo. Me alimentando, tomando banho, escovando os dentes, indo dormir cedo, respirando com calma, respondendo as perguntas, criando outras quando acha necessário, efatizando o peso de existir sobre um mundo em ruínas.

Continuo funcionando.

Mas alguma coisa se rompeu, parou, cansou, desistiu; alguma coisa parou de funcionar e ninguém notou. Eu não sou mais uma pessoa. Sou só mais uma máquina. Qualquer uma na multidão.

posted 1 year ago with 6 notes
23 de dezembro de 2011.

Véspera da véspera de natal. Sexta a noite. Calor. Dor de cabeça. Sono. Insônia. Fome. Cansaço. Vida. Morte. Dezembro. Fim de ano. Tédio. Solidão. Silêncio. Depressão. Raiva. Choro. Confusão. Ansiedade. Vazio. Escuridão. Noite. Insolúvel. Insustentável. Sentimento. Sentir. Sofrer. Nascer. Viver. Chuva. Natal.

thewicked-eternity